Opinião: "50 anos do bloqueIo estadunidense contra Cuba"

Por: Paco Azanza Telletxiki

Acaba de se cumprir meio século do ilegal e genocida bloqueio norte-americano contra Cuba; cinquenta anos de forma oficial, porque na prática, o bloqueio nasceu praticamente com o triunfo da Revolução, no dia primeiro de janeiro de 1959. O motivo disso não foi outro senão causar fome e desepero à população revolucionária e, dessa forma cruel, atacá-la com a vontade perversa de destruí-la. Documentos desclassificados em 1991 certificam isso: "Não existe uma oposição política efetiva em Cuba; portanto o único meio possível que temos hoje para diminuir o apoio interno à Revolução, é através da desilusão e desânimo, baseados na insatisfação e nas dificuldades econômicas. Deve ser utilizado prontamente qualquer meio possível para debilitar a vida econômica de Cuba. Negar dinheiro e investimentos à Cuba para diminuir os salários reais e monetários, com a finalidade de causar fome, desespero e a queda do governo".

Essas palavras foram ditas no dia 6 de abril de 1960 pelo então Secretário de Estado Adjunto para Assuntos Interamericanos, Lester Dewitt Mallory, durante uma reunião dirigida pelo presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower. Este senhor cumpriu as recomendações ao pé da letra. No dia 6 de julho de 1960 reduziu a cota de importação do açúcar cubano. No dia 30 de outubro do mesmo ano proibiu todas as exportações a Cuba, exceto alimentos e remédios. E finalmente no dia 16 de dezembro, também em 1960, reduziu a zero a importação de açúcar cubano. Enquanto isso, e assessorado pela CIA, em sua mente desenvolvia os planos da invasão mercenária de Playa Larga e Playa Girón. O presidente que o substituiu, John F. Kennedy, se encarregou de continuar com os planos do seu predecesor, realizando ainda que sem sucesso, a invasão no dia 17 de abril de 1961, e ordenando o bloqueio total da Ilha em fevereiro de 1962.

Condenado na ONU por 186 países e defendido por apenas 2, Estados Unidos e Israel, o bloqueio econômico, comercial e financeiro continua vigente até hoje depois de ter endurecido a limites inesperados pelas diferentes administrações. Em 1992, com um George H. Bush já decadente, foi aprovada a Lei Torricelly, para oficializar a democracia em Cuba. Willian Clinton chegou a afirmar que o bloqueio é "um bobo e falido ato de protecionismo" e em pleno período especial, em 1996, lançou a Lei Hemls-Burton para a Liberdade e Solidariedade Democrática Cubana, com efeitos extraordinários. Não importou que Lawrence Wikerson, Chefe de Despacho (2002-2005) do Ex-secretário de Estado, Colin Powell, falasse que "o embargo é um fracasso total com um grade prejuízo para o povo de Cuba e dos Estados Unidos", no dia 30 de junho de 2004, George W. Bush pôs em prática novas medidas restritivas à Ilha. Com Obama não tem sido diferente. Em 2004, sendo Senador pelo Estado de Illinois disse que devia "terminar o embargo contra Cuba", mas, apesar de todo o mundo pedir o fim do embargo, este não termina, como demonstra as recentes palavras da porta-voz do Departamento de Estado Norte-Americano, Victória Nuland: "Nossa política em relação a Cuba permanece a mesma".

Levando em conta a depreciação internacional do dólar em relação ao ouro entre 1961 e 2010, o bloqueio, que além de tudo fere os direitos constitucionais do povo estadunidense, custou a Cuba 975 bilhões de dólares. Não importa o que realmente seja o número mencionado. Hipócrita e cínica como é, a atual vice-presidenta imperialista, Hillary Clinton, chegou a dizer que o governo cubano não quer que o bloqueio termine, porque ele serve de desculpa para justificar os problemas da Revolução. Se suas palavras fossem verdade, porque nenhuma das administrações norte-americanas não termiram com ele?

Fonte: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=144400