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Opinião: "Síria e o telhado de vidro estadunidense"Por: Antonio Rondón GarcíaOs Estados Unidos parecem esquecer hoje o provérbio popular de que "quem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho", ao tentar dar lições de moral à Rússia quanto à venda de armamento à Síria. Como foi dito em várias ocasiões por funcionários desta nação, incluindo o Ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, Moscou só cumpre com as obrigações assumidas em acordos assinados com Damasco para a cooperação militar, segundo as normas do direito internacional. Ao contrário da Líbia, onde o Ocidente conseguiu impor restrições, com uma evidente dupla intenção, em relação ao fornecimento de armas a todas as partes envolvidas na disputa, para depois entregá-las aos grupos armados, a Síria se mantém livre de qualquer limitação a esse respeito. Mas ainda chama a atenção de especialistas a justificativa de Washington para apresentar demandas à Russia ou questionar a venda de equipamento militar ao estado meso-oriental, ao qual acusa de reprimir a população. Entretanto, jornalistas entrevistados pelo canal estatal russo Vesti, que fazem a cobertura dos acontecimentos na conflitiva cidade síria de Homs, denunciaram a imposibilidade de oferecer uma versão diferente à defendida e divulgada pela grande imprensa internacional. "Realmente, se eu me referir a outra versão, perco o meu trabalho", declarou um colega citado pelo Vesti que optou pelo anonimato. O mencionado canal russo comentou que uma das causas prováveis da suspensão pela Liga Árabe (LA) do trabalho da missão de observadores na Síria foi que muitos deles estavam dispostos a falar sobre os abusos cometidos pelas agrupações armadas. Aqui estamos e não nos atrevemos a sair às ruas, o Exército se abstém de entrar com tanques na cidade e só tenta abater os bandidos armados nas ruas e durante esse tempo tudo é fechado, declarou ao Vesti uma médica russa, moradora de Homs. Outros cidadãos da mencionada região síria afirmaram ao meio de comunicação russo que, ao contrário do que foi divulgado pelo ocidente, os povoados exigiam a presença de tropas governamentais para restabelecer a tranquilidade nessa área. Mas mesmo assim, como afirma a versão em inglês do canal Rússia Today, a embaixadora estadunidense das Nações Unidas, Susan Rice, depois de reconhecer que quando se trata do presidente Bashar Al Assad, a lei internacional pouco importa, critica o jornal de Moscou. Rice admite a inexistência de impedimento para que a Rússia forneça armamentos para a Síria. "Porém, isso não muda a imoralidade de vender apetrechos a um regime que mata o seu povo", comenta a funcionária norte-americana. Isto é uma grande hipocrisia dos Estados Unidos no assunto em questão, comentou à RT a diretora do jornal digital warisbusiness.com, Corey Pein. Washington é o maior vendedor de armamentos no mundo e a maioria desse equipamento militar foi parar no Oriente Médio, incluindo as monarquias árabes, que pagaram cerca de 400 bilhões de dólares ao país nortenho por esses artigos desde a década de 1960, afirmou Pein. Temos razões suficientes para questionar que o Oriente Médio tenha se tornado uma região mais segura nas últimas cinco décadas, comentou a especialista. O próprio jornal russo lembra como, há um ano, durante os distúrbios contra a monarquia no Bahrein, na praça Peral de Manama, ficou gravada a imagem dos tanques norte-americanos comprados por esse país, posicionados nas proximidades dessa praça. A rebelião no Bahrein foi reprimida pela polícia do país e o exército saudita, que foi ajudar a monarquia do pequeno estado árabe, e as consequências dessa represália, desapareceram quase por completo do espaço de cobertura na grande imprensa ocidental. Muitos dos governos árabes, incluido o do Bahrein, estão longe de poder ser considerados como pilares da democracia e campeões dos direitos humanos, em meio às denúncias de repressões brutais à oposição, destaca RT. A dupla moral nestes casos é evidente, estima, sob seu ponto de vista, o escritor e jornalista Chris Hedges, citado pelo canal de televisão. Segundo os números do Congresso norte-americano, o país vendeu armas ao Bahrein por uma quantia de 400 milhões de dólares nos últimos 11 anos, destaca a versão em inglês do jornal ruso. Washington insiste em lançar pedras no telhado russo, sem cuidar a fragilidade do seu na hora de dar lições de moralismo no que diz respeito à venda de armamento. Fonte: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=144461 |